Maceió- AL -

15 de maio de 2013

CFM acusa Governo de oferecer pseudomédicos para cuidar da população brasileira



CONTRA A "IMPORTAÇÃO" DE MÉDICOS

CFM acusa Governo de oferecer pseudomédicos para cuidar da população brasileira



Para o presidente da entidade, o Governo admite a falta de formação dos profissionais importados ao afirmar que eles atuarão apenas na atenção básica. Ele também alertou para o risco de se "calibrar"o Revalida para aumentar o índice de aprovação dos portadores de diplomas estrangeiros, conforme sugerido pelo Ministro da Educação



A população brasileira corre o sério risco de ser atendida por pessoas com formação médica insuficiente e incompleta, o que pode tornar ainda mais vulnerável o quadro de saúde de inúmeros pacientes."Se esta intenção fosse séria, o Governo traria médicos preparados para fazer cirurgias, trabalhar em UTIs e atender casos de alta complexidade. Não há médicos pela metade e é isso que está sendo proposto. Se o médico "importado"sem revalidação receber um caso grave, cruzará os braços", ressaltou o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto Luiz d'Avila, durante o Fórum de Ensino Médico, que acontece até quinta-feira (16), em Brasília.



Em seu comentário, o presidente respondeu ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que em encontro com prefeitos, nesta semana, disse que os médicos "importados" terão autorização apenas para atuarem na chamada atenção básica. Isso quer dizer que estas pessoas não poderão fazer cirurgias, procedimentos invasivos ou de alta complexidade. Para Roberto d'Avila, ao admitir esta estratégia o Ministério da Saúde admite que os profissionais em questão não atendem os requisitos mínimos para diagnosticar e prescrever, como é esperado de qualquer médico - formado no Brasil e em outros países.



O presidente do CFM disse ainda que as entidades médicas estão em alerta com relação à manutenção dos parâmetros do exame de validação de diplomas (Revalida), no qual os candidatos a exercerem Medicina no Brasil devem ser aprovados. "O ministro da Educação, Aloízio Mercadante, afirmou na terça-feira (14), no Senado Federal, que se estuda calibrar o Revalida. Para quem acompanha esse processo, isso pode ter a seguinte leitura: vamos abaixar o nível das provas para subir os índices de aprovação e garantir emprego público a médicos sem capacitação para atender a população", ressaltou Roberto d'Avila, que prometeu contraposição total a esta hipótese.



De acordo com os dados oficiais da Subcomissão que acompanha a aplicação do Revalida, os números confirmam o desempenho pífio da grande maioria dos candidatos a exercerem medicina no Brasil. No ano de 2011, 677 médicos graduados no exterior se submeteram ao Revalida e somente 9,65% foram aprovados. Em 2012, de 884 médicos somente 77 foram aprovados no Revalida. Numa análise mais profunda, percebe-se que o desempenho dos portadores de diplomas cubanos e bolivianos, que representam cerca da metade dos candidatos, foi ainda pior.



Em 2012, um grupo de 593 médicos graduados em Cuba e na Bolívia enfrentaram as provas, sendo que somente 35 obtiveram o direito de revalidados de seus títulos para trabalhar legalmente no Brasil. Este número representa um índice de reprovação de 94,1%, o que sugere o baixo nível dos interessados. Em 2011, foram 444 diplomas (emitidos na Bolívia e em Cuba), com um índice de reprovação de 93,5%. "O CFM apoia a entrada de médicos qualificados para trabalhar no Brasil, independente de sua nacionalidade. Médicos brasileiros, cubanos, europeus, todos que tiverem seus diplomas emitidos no exterior devem ser submetidos ao Revalida, sem calibragens",ressaltou d'Avila.



Para d'Avila, que discutiu o assunto e recebeu o apoio dos presidente dos 27 Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), o Governo quer uma medicina "pobre" para uma população que não tem outra opção. "É um desrespeito de quem parece mais preocupado com seu desempenho nas próximas eleições do que com o encontro de soluções definitivas para os problemas de falta de assistência", citou. Diante desse quadro, o CFM e os CRMs lançam esta semana uma empreitada para esclarecer a população e apresentar uma proposta que resolveria a carência de atendimento nas áreas pobres do interior e nas periferias dos grandes centros.



Os Conselhos de Medicina defendem a criação de uma carreira de Estado para o médico do Sistema Único de Saúde (SUS). Pela proposta, o Estado assumiria a responsabilidade de oferecer aos médicos um plano de carreira, contendo oferta de infraestrutura de trabalho (equipamentos, instalações, insumos, etc), apoio de equipe multidisciplinar, acesso à educação continuada e remuneração compatível com a responsabilidade e a exclusividade na função.



"Sem essa carreira, os jovens médicos - "importados" ou brasileiros - podem até aceitar o desafio de ir para zonas distantes, mas diante da falta de perspectiva abandonarão os postos e buscarão abrigo nas grandes cidades, acirrando o cenário de desigualdade na distribuição dos profissionais", ressaltou o presidente do CFM. Para as entidades de classe, cabe ao Governo assumir sua responsabilidade de tomar medidas estruturantes para resolver os problemas da saúde, sem apelar para o caminho do "imediatismo midiático, improvisado e oportunista".



Assessoria de Imprensa do CFM

ENTEROBACTÉRIA NDM - CASOS CONFIRMADOS NO RIO GRANDE DO SUL - INFORME TÉCNICO ANVISA



Anvisa esclarece sobre casos de infecção/colonização por enterobactérias com mecanismo de resistência NDM-1 em Porto Alegre

Após a confirmação de casos de infecção/colonização por enterobactérias com mecanismo de resistência NDM-1 (New Delhi Metallobetalactamase) no Hospital Conceição, em Porto Alegre, a Anvisa enviou uma equipe de técnicos para o hospital, em conjunto com o Ministério da Saúde, e divulgou orientação para as unidades de saúde de todo o país.

A Anvisa recebeu, no dia 1º de abril de 2013, uma notificação de casos positivos pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Conceição, confirmada pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen/RS), pela Secretaria Estadual de Saúde (SES/RS) e pelo Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar (LAPIH/IOC-Fiocruz). A partir daí, foram adotadas as seguintes providências:

1. No dia seguinte, foi realizada reunião entre a Anvisa e a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, quando foi formada uma equipe para investigação no local do evento, que se juntou aos profissionais do município do Porto Alegre, do estado do Rio Grande do Sul, do Laboratório Central de Saúde Pública, da Gerência de Risco e da CCIH do serviço de saúde. A equipe de investigação permanece no local.

2. Foi realizada a busca ativa de contatos dos pacientes, criteriosa avaliação do processo de fracionamento, diluição e distribuição dos saneantes utilizados para limpeza de superfícies do hospital, bem como dos processos de trabalho estabelecidos para limpeza concorrente e terminal e dos protocolos de uso de antimicrobianos. Foram ainda coletadas amostras ambientais no hospital e encaminhadas para o Lacen/RS para exame.

3. A partir do conhecimento do evento pela Anvisa, a Agência enviou dois comunicados de risco (3 e 29 de abril) para os profissionais de saúde que atuam nos serviços em todo o país, especialmente nas áreas de controle de infecção hospitalar, com recomendações de medidas especificas para esta situação (Acesse aqui a Comunicação de risco nº 01/2013 e nº 02/2013

4. Em 17 de abril de 2013, a Câmara Técnica de Monitoramento da Resistência Microbiana (Catrem) elaborou a Nota Técnica nº 1/2013, publicada no portal da Anvisa, que estabelece, entre outras medidas, orientações sobre a terapêutica, a determinação do perfil de sensibilidade e os critérios interpretativos para avaliação da sensibilidade de enterobactérias e determinação de Concentração Inibitória Mínima (CIM), além da detecção laboratorial.

5. As apurações mostram que cinco pacientes foram infectados ou colonizados, entre setembro de 2012 até abril do presente ano. Dois deles receberam alta hospitalar e estão sendo acompanhados; outros dois continuam hospitalizados e um paciente foi a óbito por causas diversas. 

6. Os pacientes em alta hospitalar estão sendo acompanhados pela Vigilância Epidemiológica dos seus respectivos municípios de residência, enquanto dois pacientes internados estão em isolamento e sob constante monitoramento das equipes de saúde do hospital.

7. A UTI do hospital está parcialmente fechada para novas internações, para possibilitar a limpeza terminal de todo o ambiente, que somente será liberada para reinternações após a aprovação da CCIH. Além disso, foram designadas equipes, instrumentais e equipamentos exclusivos para os pacientes colonizados pelo agente, reforçadas as medidas de higienização das mãos e reavaliados os processos de limpeza dos ambientes e equipamentos. A Secretaria Municipal de Saúde está garantindo o suporte com leitos de UTI em outros serviços.

8. Até o presente momento, não há evidência de ocorrência de casos em outros hospitais ou na população em geral, encontrando-se restrito a um único hospital de Porto Alegre.

9. No entanto, cuidados relacionados à higienização das mãos são imprescindíveis. Os acompanhantes deverão cumprir as orientações da CCIH, quanto às medidas de precauções de contato e precauções-padrão.


Histórico

A resistência aos antibióticos das enterobactérias é um grave problema de saúde pública de âmbito mundial, particularmente pela elevada mortalidade e pela limitação de opções terapêuticas.

Alguns mecanismos de resistência são denominados por siglas e popularmente divulgados como “superbactérias”. É o caso da KPC, da OXA, da IMP e da NDM. Existem duas famílias de carbapenemase, sendo as betalactamases (tipo KPC) e as metalobetalactamases (tipo NDM, VIM e IMP), e ambas inativam os antibióticos.

As enterobactérias são microrganismos bastante conhecidos que em geral habitam os intestinos humanos e eventualmente podem causar infecção em pacientes suscetíveis. Podem ser suscetíveis às pessoas sob estresse metabólico, como pacientes de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), pacientes com doenças crônicas debilitantes ou com feridas operatórias, usuários de medicamentos imunossupressores (como os corticoides e os usados para evitar rejeição de órgão transplantado) ou usuários de dispositivos invasivos como cateteres e sondas.

As siglas KPC, OXA, IMP e NDM-1 não são, na verdade, “superbactérias”, e representam os nomes dados às enzimas produzidas por alguns tipos de bactérias. São essas enzimas que conferem resistência do micro-organismo aos diferentes tipos de antibióticos existentes. Algumas delas podem ser transmitidas por contato, fundamentalmente, pelas mãos. A disseminação do mecanismo de resistência ocorre por plasmídeos e o risco de propagação entre as espécies é elevado.

Este evento representa a primeira detecção de enterobactéria com mecanismo de resistência blaNDM1 (tipo NDM "New Delhi Metalobetalactamase") no Brasil. Este mecanismo de resistência foi detectado inicialmente na Índia e, mais recentemente, em outros países da América do Sul.